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Doutorado em invisibilidade de trabalhadores inspira novela global

Um doutorado na USP inspirou a criação de um personagem da próxima novela das 18h00 da TV Globo. Acostumada ao assédio, a atriz Camila Pitanga descobriu o que é ser invisível socialmente, quando começou a interpretar uma faxineira. A atriz repete a experiência do psicólogo Fernando Braga da Costa, autor do livro “Homens Invisíveis - Retratos de Uma Humilhação Social” (Ed. Globo – 2004).

Fernando Braga comprovou que, na maioria das vezes, as pessoas enxergam apenas a função social do outro e quem não está bem posicionado é mera sombra. O psicólogo comprovou, com seu trabalho, a existência da invisibilidade pública, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde não se enxerga a pessoa, mas sua função, o que ela faz, o que ela veste e o que ela tem.

O trabalho de campo de Fernando começou quando ele cursava o segundo ano da faculdade e entrou para o Programa de Iniciação Científica. Durante mais de cinco anos, o pesquisador vestiu o uniforme de gari e trabalhou pelo menos meio período, de uma a três vezes por semana, varrendo o campus da Cidade Universitária. A experiência é parte de um método conhecido como etnográfico, através do qual os psicólogos desenvolvem estudos baseados no engajamento na atividade escolhida.

A iniciação científica transformou-se em dissertação de mestrado e, aprimorada, foi apresentada como tese de doutorado no Instituto de Psicologia da USP. A pesquisa “Garis - um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública” foi desenvolvida em dois níveis: primeiro para conhecer e avaliar as condições de trabalho e o estado moral e psicológico dos garis. Depois, o psicólogo analisou as aberturas e barreiras psicossociais na relação com estes trabalhadores.

São atos cotidianos, como olhar, reconhecer e cumprimentar as pessoas, que são ignorados. O psicólogo descobriu que muitas vezes os trabalhadores são tratados de forma pior do que um animal doméstico que, pelo menos, é chamado pelo nome, atitude que nem sempre é adotada no relacionamento determinado na distinção de classe social.

O psicólogo Fernando Braga da Costa conclui que uma das saídas é ter consciência da invisibilidade pública e combater esta forma de violência psicológica através de um olhar mais atento àqueles que estão ao nosso redor, independente das diferenças sociais.

 

SERVIÇO: A tese Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública está disponível na Biblioteca Virtual do Instituto de Psicologia da USP - http://www.bvs-psi.org.br/

Contatos com o autor através e-mail gariusp@yahoo.com.br e/ou telefone (11) 9499 3599.

   
 
 
 
 
   
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