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Valor Econômico

07 de outubro de 2009

Para melhorar no Enem, escola ergue muros e enfrenta invasores

Se colocadas sob uma lente de aumento, as condições da escola estadual Professora Zoraide de Campos Helu, no Jardim Jaraguá, extremo oeste da cidade de São Paulo, revelam os grandes problemas do ensino público no Brasil: violência, infraestrutura precária, evasão, excesso de rotatividade de professores, desinteresse por parte de alunos e professores, orçamento baixo.

Às vésperas do novo Enem, que teve a prova remarcada para os dias 5 e 6 de dezembro por causa de fraude, a nova direção da escola enfrenta essas e outras questões para obter uma avaliação melhor neste ano. Em 2008, a unidade ficou em último lugar entre as escolas da capital paulista. A coordenadora de ensino médio da unidade, Mariete Fátima Marques, explica que a evasão foi a principal justificativa para o desempenho negativo na prova. "Nos últimos dois anos enfrentamos muitos problemas e perdemos muitos alunos. Os que ficaram não tinham interesse em fazer a prova", conta. Em 2008, a frequência na escola ficou abaixo dos 60% no ensino médio e só nove alunos se inscreveram no Enem.

Além da evasão, ela também refere-se a professores desmotivados, falta de equipamentos e, sobretudo, à insegurança. "Chamávamos a polícia, porque a escola vivia sendo invadida. Os invasores atrapalhavam as aulas, assediavam as alunas, comiam a merenda, desrespeitavam professores e ofereciam drogas, mas isso nunca deu para provar direito", diz Mariete.

Há seis meses, a escola tem uma nova diretora para os mais de 1.000 alunos dos níveis fundamental, médio e educação de jovens e adultos. Rosimeire Pacola Gouvêa, junto com a equipe de educadores e funcionários, trabalha para superar as dificuldades. Já conseguiu verbas para reformar a quadra, levantar muros e pôr grades e novos portões, comprar oito computadores e um aparelho de data-show, além de obter autorização da Secretaria Estadual para contratar mais professores concursados. "Os resultados parecem começar a aparecer. Notamos maior interesse dos alunos nas aulas e no Enem", avalia a diretora. Este ano, 90% dos mais de cem alunos do terceiro ano se inscreveram para fazer o exame, agora adiado.

A escola, contudo, também terá de avançar na qualidade, considerada baixa pela aluna Maria Simone, de 16 anos. Recém-chegada do Piauí para morar com o pai no Jardim Jaraguá, ela transferiu a matrícula para São Paulo. No ano que vem, vai para a 9ª série do ensino fundamental e está preocupada com os estudos no futuro. "Lá em Teresina [o ensino] era mais puxado, os professores cobravam mais e a gente tinha que estudar para não 'bombar'. Aqui, como não repete de ano, não tem tanta dificuldade." (LM)

   
 
 
 
 
   
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